Fase 2:
Implementando uma Política Efetiva e Gerenciando Riscos
Seguindo uma avaliação de risco inicial, você pode começar a abordar o risco de desmatamento de sua instituição financeira. Dois elementos são críticos para este processo – definir uma política efetiva contra o desmatamento e conduzir uma avaliação aprofundada da exposição ao risco de desmatamento, se necessário. Não há ordem recomendada para essas etapas; a avaliação de risco detalhada pode ajudar o desenvolvimento da política contra o desmatamento e vice-versa.
Recomendações de prazos para eliminar o desmatamento, a conversão e as violações de direitos humanos associados à produção de commodities
Para seguir as melhores práticas, recomenda-se que a Fase 2 seja iniciada dentro de 15 meses após o compromisso com o Roteiro. Para aqueles que iniciaram o Roteiro em 2021, trabalhando para a data prevista de 2025, a fase deveria ter sido concluída até o final de 2022.
No final da Fase 2, você terá:
- Categorizado seus clientes/holdings como de alto, médio e baixo risco com base na exposição deles ao risco de desmatamento e nas medidas tomadas para gerenciar esse risco
- Identificado clientes/holdings prioritários para engajamento
- Definido políticas claras e fortes sobre desmatamento, conversão e direitos humanos que cubram todas as suas atividades de financiamento
A avaliação aprofundada de riscos baseia-se diretamente no perfil desenvolvido de clientes/holdings de alto risco na Fase 1, onde foi identificado quais clientes/holdings provavelmente apresentavam alto risco. Esta etapa estabelece como quantificar a exposição real dos clientes/holdings ao desmatamento, à conversão de ecossistemas e aos riscos associados aos direitos humanos, além de como avaliar seu desempenho nesses aspectos.
Você pode iniciar esta etapa priorizando aqueles identificados como prováveis de alto risco na Fase 1 e, a partir disso, determinar quais clientes/holdings representam a maior exposição e quais devem ser priorizados para engajamento na Fase 3.
Sua avaliação inicial dos riscos de desmatamento, conversão e direitos humanos associados pode ter sido detalhada devido ao tamanho de seus portfólios. Se esse for o caso da sua organização, esta etapa pode ser ignorada.
Ação recomendada (AR) 1: Faça uma avaliação profunda da performance e os riscos associados ao desmatamento, conversão e violações de direitos humanos
Concluir uma avaliação aprofundada dos riscos de desmatamento, conversão e dos impactos associados aos direitos humanos, bem como dos esforços para mitigar e enfrentar esses riscos, ajudará a identificar quais clientes/holdings ainda precisam avançar significativamente. Isso permitirá determinar quais clientes/holdings requerem um engajamento mais urgente para se tornarem conformes com sua política de desmatamento, conversão e direitos humanos associados (Fase 3).
Essa avaliação aprofundada de riscos deve se basear diretamente na avaliação inicial de riscos realizada na Fase 1.
Com base na avaliação inicial de riscos realizada na Fase 1, essa due diligence pode então ser utilizada para identificar a quais clientes/holdings sua política precisará se aplicar e quais provavelmente não estarão em conformidade com sua política, por meio de indicadores como:
Exposição ao desmatamento
- Quais volumes e qual proporção do volume total de cada commodity de risco florestal produzida, adquirida ou financiada pelo cliente/holding foram avaliados e/ou verificados como livres de desmatamento e conversão?
- Quais métodos e fontes de dados são utilizados para verificar o status e para avaliar se é livre de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos?
- Qual porcentagem do volume da produção foi avaliado como livre de desmatamento e/ou conversão? Essa designação foi verificada pela empresa, por organizações que atuam em seu nome ou por terceiros? Quais entidades realizaram a verificação (programas próprios, de segunda ou terceira parte)?
- Em valores percentuais, quantas das commodities produzidas, adquiridas ou usadas pela empresa foram certificadas fisicamente (por exemplo, identidade preservada ou segregada) conforme uma norma de certificação com requisitos de não desmatamento e não conversão? Quais sistemas de certificação foram usados?
- O esquema de certificação é confiável? Como referência, você pode utilizar a metodologia de avaliação do Forest 500 no indicador 6.03 e as diretrizes para verificação credível na página 34 do Operational Guidance do Accountability Framework.
Para volumes não verificados como livres de desmatamento e conversão:
- Para empresas que possuem ou gerenciam terras para a produção e processamento de commodities de risco florestal, ou que financiam esses processos:
- Quantos hectares de terra ou qual volume de matéria-prima podem estar em desacordo com padrões de zero desmatamento e conversão?
- Quantos hectares ou qual volume de matéria-prima pode ser proveniente de uma área onde os riscos de desmatamento/conversão são desconhecidos (por exemplo, locais ou volume em que riscos não foram avaliados)?
- Identificar as jurisdições subnacionais (estados, cidades) em que se encontram.
- Quantos hectares de florestas ou ecossistemas naturais foram convertidos no último ano, nos últimos cinco anos e/ou após a data-limite (se especificada, a depender da região e contexto), desagregados por legalidade da mudança no uso da terra, bioma, tipo de vegetação e/ou status de Altos Valores de Conservação?
- (Se aplicável) Qual metodologia e fontes de dados foram usadas para calcular o desmatamento e/ou conversão de ecossistemas em unidades de produção/áreas de fornecimento?
- Quantos hectares de terra não foram avaliados quanto a desmatamento ou conversão?
- Qual é a área total de terra (em hectares) disponível para produção futura, como, por exemplo, concessões?
- Para as empresas que adquirem/compram ou financiam commodities com risco florestal:
- Qual é o volume, e a proporção desse volume em comparação com o total, de cada commodity de risco florestal que não foi verificada como livre de desmatamento e conversão, mas ainda pode ser rastreada até o ponto inicial de produção?
- Quantos hectares foram desmatados ou convertidos em unidades de produção das quais a empresa compra ou financia, considerando o último ano, os últimos cinco anos e/ou após a data de corte (se houver)? Dentre essas áreas, qual a proporção de desmatamento/conversão legal e ilegal? E como esses dados se distribuem por localidade ou bioma?
- Para commodities de alto risco, quais volumes e proporção em comparação ao total que não foram certificadas podem ser rastreadas até áreas de originação que têm riscos conhecidos de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos (por exemplo, jurisdições subnacionais, como biomas, cidades e estados com alto risco de desmatamento)?
- Quantos hectares de desmatamento e conversão podem ser atribuídos a áreas de origem e commodities de alto risco em suas operações, cadeias de suprimentos ou projetos financiados no último ano, nos últimos cinco anos e/ou subsequente à sua data-limite (se especificada)?
- Quais volumes e proporção do volume total são de origem desconhecida?
- Quais métodos e fontes de dados são utilizados para verificar se não há desmatamento, conversão de ecossistemas ou violações de direitos humanos nas operações, cadeias de fornecimento ou projetos financiados? (Exemplos: uso de certificações específicas, atuação em regiões de baixo risco com metodologias de verificação e classificação de risco, mapeamento direto de fazendas, ferramentas de sensoriamento remoto, programas de monitoramento de fornecedores, entre outros.)
Gestão de riscos: Políticas
- O cliente/holding possui compromissos/políticas de desmatamento, conversão e direitos humanos para todas as commodities de alto risco florestal?
- As políticas cobrem os seguintes aspectos: a proibição do desmatamento e da conversão de todos os ecossistemas naturais, uma data de corte clara e quantificável a partir da qual o desmatamento e a conversão seriam considerados como não conformes com o compromisso/política, uma data prevista clara para atingir a meta de implementação total do compromisso, e abrangem todos os fornecedores (diretos e indiretos), operações e áreas de origem?
- O Accountability Framework recomenda uma data prevista não posterior a 2025 para eliminar o desmatamento e a conversão das cadeias de suprimentos, a fim de refletir a urgência de agir nas crises na biodiversidade e no clima. Essa recomendação também está alinhada com os padrões estabelecidos por várias outras iniciativas importantes, incluindo SBTi-FLAG e Race to Zero.
- As políticas de direitos humanos cobrem os seguintes aspectos: verificação do consentimento livre, prévio e informado (CLPI) de povos indígenas e comunidades locais (PICLs); respeito aos direitos consuetudinários e legais à terra dos PICLs; abordagem de tolerância zero para ameaças e ataques contra defensores do meio ambiente, terras e direitos humanos; e direitos trabalhistas para pessoas na cadeia de suprimentos, indústrias e projetos relevantes?
- As políticas cobrem os seguintes aspectos: a proibição do desmatamento e da conversão de todos os ecossistemas naturais, uma data de corte clara e quantificável a partir da qual o desmatamento e a conversão seriam considerados como não conformes com o compromisso/política, uma data prevista clara para atingir a meta de implementação total do compromisso, e abrangem todos os fornecedores (diretos e indiretos), operações e áreas de origem?
Gestão de riscos: sistemas de monitoramento de desmatamento e conversão
- A empresa/investimento fornece ou publica informações sobre sistemas eficazes de monitoramento de conformidade em suas cadeias de suprimentos ou atividades de financiamento, relacionadas ao desmatamento e conversão?
- A empresa/investimento disponibiliza detalhes sobre seus próprios mecanismos de denúncias ou sistemas de queixa para identificar e corrigir impactos sociais adversos em suas operações e/ou cadeia de suprimentos? Esses sistemas são acessíveis e públicos e relatam detalhes das queixas recebidas?
- Quantas queixas foram registradas contra a empresa relacionadas a desmatamento e conversão? Qual o status dessas queixas e qual foi a resolução (incluindo datas e status de resolução)?
- A empresa compromete-se a tomar medidas para oferecer remediação ou restauração caso tenha causado ou contribuído para danos sociais ou ambientais relacionados ao desmatamento e conversão?
- Ela se compromete à restauração ecológica e à remediação de danos aos direitos humanos?
→ As informações obtidas no monitoramento sobre riscos relacionados ao desmatamento e conversão estão sendo integradas nos sistemas de compras para bloquear aquisições de fornecedores não conformes?
Gestão de riscos: Sistemas de monitoramento de violações de direitos humanos associadas
- O cliente/holding possui/publica detalhes sobre o processo para resolver conflitos relacionados à violações de direitos humanos em suas próprias operações e/ou cadeia de suprimentos?
- Eles reportam quantas e quais comunidades indígenas e locais cujos territórios (tanto reconhecidos legalmente quanto de forma consuetudinária) se sobrepõem com operações diretas ou da cadeia de suprimentos ou que seriam impactadas por elas?
- O cliente/holding reporta quantos hectares e qual a proporção do total de operações da empresa/investimento ou da cadeia de suprimentos se sobrepõem com os territórios de comunidades indígenas e locais?
- O cliente/holding monitora a conformidade das operações de produção ou processamento primário que possui, gerencia ou controla de alguma forma, ou que as suas cadeias de suprimentos possuem/gerenciam/controlam, com seu compromisso sobre o Consentimento Livre, Prévio e Informado?
- O cliente/holding reporta quantas aquisições de terras (seja por si mesmos ou por seus fornecedores) utilizaram o CLPI (Consentimento Livre, Prévio e Informado) para obter consentimento das comunidades indígenas e locais afetadas? Qual a proporção dessas terras com consulta em relação às sem consulta?
- Quando há algum conflito, o cliente/holding se compromete a interromper os esforços para adquirir ou obter controle de terras, recursos ou territórios relacionados aos conflitos, até que sejam resolvidos por meio de um processo de CLPI?
- Se a atividade já estiver operando e sua suspensão tiver impactos negativos nas comunidades locais, nos trabalhadores ou no meio ambiente, o cliente/holding avalia eventuais danos causados e coopera para oferecer reparação às partes afetadas?
- O cliente/holding monitora a conformidade das operações que possui, gerencia ou controla, incluindo a produção ou processamento primário, e de suas cadeias de suprimentos, em relação ao compromisso de tolerância zero para ameaças e violência contra defensores do meio ambiente e dos direitos humanos?
- O cliente/holding fornece informações verificadas externamente sobre o treinamento oferecido aos funcionários em relação ao compromisso de tolerância zero?
- O cliente/holding divulga o número de defensores das florestas, das terras e dos direitos humanos que foram ameaçados ou atacados, e que estão ligados a terras sob sua propriedade, gestão ou controle, ou de sua cadeia de suprimentos?
- O cliente/holding monitora a conformidade das operações de produção ou processamento primário que possui, gerencia ou controla, assim como a conformidade de suas cadeias de suprimentos, em relação ao seu compromisso com os direitos trabalhistas?
- O cliente/holding fornece informações verificadas externamente sobre o treinamento oferecido aos funcionários em relação aos direitos dos trabalhadores, ou reporta a criação de equipes ou comitês dedicados à implementação de processos para identificar e mitigar impactos negativos nos direitos dos trabalhadores?
- A empresa realiza auditorias para garantir que suas operações e cadeia de suprimentos estejam em conformidade com todas as leis aplicáveis relacionadas aos riscos de violações de direitos humanos associadas ao desmatamento?
- Em valores percentuais, quantas das commodities produzidas ou adquiridas pela empresa foram avaliadas quanto a riscos de violações de direitos humanos?
- Os dados para esta avaliação podem ser obtidos a partir de:
- Relatórios sobre o progresso em relação à política (sobre desmatamento, conversão e direitos humanos) do cliente/holding diretamente para sua organização.
- A preferência deve ser para que esses dados também tenham verificação/auditoria de terceira parte (independente), incluindo medidas tomadas, como a verificação de que o Consentimento Livre, Prévio e Informado foi dado para operações/projetos e a quantidade de desmatamento e conversão ocorrida em suas operações, cadeia de suprimentos ou projetos financiados no ano passado, nos últimos cinco anos e/ou subsequente à sua data-limite (se especificado).
- Isso também deve incluir dados sobre seus fornecedores, incluindo pequenos produtores, e qualquer projeto/operação envolvida, não apenas suas próprias operações.
- Relatórios públicos por meio de mecanismos reconhecidos, incluindo CDP Forests, relatórios de CSR, relatórios GRI, TCFD/IFRS S2, TNFD ou outras abordagens de divulgação de dados.
- Órgãos de certificação com robustos padrões sobre desmatamento, conversão e direitos humanos, como RSPO, FSC.
- Relatórios internos ou públicos por organizações da sociedade civil e detentores de direitos, incluindo por meio de um mecanismo de denúncia ou consulta direta.
- Provedores de dados de terceiros sobre políticas de desmatamento, relatórios e ferramentas de avaliação de exposição, como Forest IQ, Forest 500, Trase, ZSL SPOTT e outros provedores de dados ESG.
- Avaliações independentes de impactos sobre os direitos humanos, que fornecem verificação de terceiros se os clientes/holdings estão implementando seus compromissos.
- Investigações e reportagens da mídia ligando o cliente/holding a desmatamento e violações de direitos humanos.
- Informações publicamente disponíveis reportadas por meio dos mecanismos de reclamação dos clientes/holdings.
- Dados de satélite e/ou ferramentas sobre desmatamento e conversão, como Global Forest Watch Pro, Starling, Maphubs palm oil.io, que podem ser usados para verificar se as regiões de origem identificadas estão livres de desmatamento e conversão.
- Bancos de dados de governos e ONGs para conformidade com leis e legislações.
Uma combinação dessas fontes deve ser utilizada para garantir que uma visão completa seja alcançada.
Com base no processo de due diligence aplicável globalmente e descrito acima, no caso das instituições que financiam as cadeia de suprimentos da pecuária no Brasil, o processo pode ser fortalecido para incluir indicadores específicos relacionados a essas cadeias, inclusive com foco na Amazônia e no Cerrado, já que essas duas regiões são responsáveis por 85% tanto do desmatamento quanto da conversão de ecossistemas no país. Ao fazer isso, o processo pode ser usado para identificar em quais casos de clientes/holdings a política deverá ser aplicada e em quais casos esses clientes/holdings provavelmente não estarão em conformidade com a política, por meio de indicadores como:
Exposição ao desmatamento e conversão no Brasil
- Quais volumes e proporções do volume total de carne bovina e/ou couro produzidos, adquiridos ou financiados pelo cliente/holding são avaliados, certificados e/ou verificados como livres de desmatamento e conversão?
- Qual o estágio de produção de gado está sendo financiado (cria, recria ou engorda e em outros casos, processamento)?
- No caso de empresas que possuem ou administram terras para a produção e processamento de carne bovina e/ou couro ou que financiam esses processos:
- Quantos hectares são usados para a produção e processamento de commodities com alto risco de desmatamento no Brasil?
- Quantos hectares/volume são conhecidos por não estarem em conformidade com os padrões de zero desmatamento e conversão?
- Quantos hectares dessas operações de produção e processamento estão localizados na Amazônia e no Cerrado, respectivamente, ou qual volume de commodities é proveniente dessas regiões?
- Quais estágios da pecuária a empresa está envolvida ou quais estágios da pecuária está o financiamento envolvido?
- Quantos hectares ou qual volume de commodities provenientes da Amazônia e do Cerrado apresentam riscos desconhecidos de desmatamento/conversão?
- Identificar as jurisdições subnacionais em que se encontram.
- Quantos hectares de desmatamento e conversão foram identificados tanto em unidades de produção quanto em operações de processamento no último ano, nos últimos cinco anos e/ou posteriormente à data limite (se especificada)? Qual é a proporção de conversão legal e ilegal? Qual é o detalhamento por localização ou bioma, incluindo a Amazônia e o Cerrado?
- Em quais municípios essas unidades de produção ou processamento estão localizadas?
- Essas informações podem ser cruzadas com municípios na lista prioritária para ações de combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente ou do SEEG, para obter uma melhor compreensão dos riscos.
- No caso de empresas que adquirem carne bovina e/ou couro brasileiros:
- Qual é o volume (e a proporção do volume total) de carne bovina e/ou couro brasileiro que não foi verificado como livre de desmatamento e conversão, mas que pode ser rastreado até o ponto de produção (fazenda, cidade ou estado)?
- Quantos hectares com desmatamento e conversão foram identificados nas unidades das quais a empresa está associada, seja por meio de suas operações, operações da sua cadeia de suprimentos ou projetos financiados, no último ano, nos últimos cinco anos e/ou após a data limite (se especificada)? Qual é a proporção entre desmatamento e conversão legal e ilegal? Os dados são detalhados por localização ou bioma, incluindo Amazônia e do Cerrado?
- De quais unidades ou operações de produção ou processamento no Brasil a empresa adquire seus produtos? Em quais municípios essas unidades de produção ou beneficiamento estão localizadas?
- Essas informações podem ser checadas por meio de referência cruzada com listas públicas de localidades de alto risco de desmatamento, como as do Ministério do Meio Ambiente ou do SEEG, para melhor entender os riscos de desmatamento nas localidades.
Gestão de riscos: Sistemas de monitoramento de desmatamento e conversão
- A empresa/investimento possui e/ou publica detalhes do sistemas de monitoramento de conformidade socioambiental no Brasil em suas cadeias de suprimentos/atividades de financiamento (que verifiquem o desmatamento, conversão e violação de direitos humanos)? Esses mecanismos de monitoramento se aplicam a fornecedores diretos e indiretos?
- A empresa/investimento especifica qual mecanismo para monitorar fornecedores diretos e indiretos? (Referência à Fase 1 sobre as limitações que sistemas de monitoramento e rastreabilidade tem para a pecuária)
- Esses mecanismos de monitoramento garantem que os polígonos das propriedades rurais dos clientes/fornecedores não se sobreponham a áreas legalmente protegidas, como, por exemplo, unidades de conservação, comunidades tradicionais e territórios indígenas?
- Esses mecanismos de monitoramento de conformidade garantem que os polígonos das propriedades rurais dos clientes/fornecedores não estejam operando em áreas sob embargo de instituições públicas, como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) ou outros órgãos ambientais estaduais?
- Esses mecanismos de monitoramento de conformidade passam por algum tipo de verificação, certificação ou auditoria? Saiba mais sobre processos de verificação credíveis na página 34 das Diretrizes Operacionais do Accountability Framework.
- As informações sobre desmatamento e das violações de direitos humanos vêm sendo integradas aos sistemas de compras para impedir a contratação de fornecedores não conformes?
- Esses bloqueios se aplicam a fornecedores diretos e indiretos?
- Como essas informações sobre riscos e impactos relacionados ao desmatamento e aos direitos humanos estão sendo integradas aos sistemas de compras para bloquear aquisições de fornecedores brasileiros não conformes e/ou acionar engajamento com esses fornecedores?
- Essas verificações ocorrem de forma independente da equipe comercial, para que fornecedores não conformes não possam ser desbloqueados por motivos comerciais?
- Existe um processo independente para resolver os bloqueios, como um comitê com representantes de todas as equipes relevantes, incluindo comercial e sustentabilidade?
- Esses sistemas de compras passam por algum tipo de verificação, certificação ou auditoria? Para referência, entenda mais sobre o processo de verificação credível na página 34 das Diretrizes Operacionais do Accountability Framework.
- Se seu mecanismo de queixas for disponível e público no Brasil, quantas queixas foram apresentadas contra a empresa relacionadas a desmatamento, conversão de ecossistemas e violações de direitos humanos no país; e qual a taxa de resolução dessas queixas (incluindo datas e status)?
- A empresa se compromete a adotar medidas para remediar ou restaurar quaisquer perdas quando tiver causado ou contribuído para danos relacionados ao desmatamento, conversão de ecossistemas e/ou violações de direitos humanos associadas?
- A empresa se compromete com a restauração ecológica e a remediação dos danos aos direitos humanos?
Gestão de riscos: Sistemas de monitoramento de violações de direitos humanos associadas
- A empresa realiza avaliações ou auditorias para garantir que suas operações e cadeia de suprimentos no Brasil estejam em conformidade com todas as leis aplicáveis relacionadas às violações de direitos humanos?
- Isso inclui as leis trabalhistas brasileiras e proibição ao trabalho forçado ou análogo à escravidão?
- A empresa avalia e relata quantas comunidades indígenas e locais (incluindo os nomes de todas elas) cujos territórios (legalmente reconhecidos e consuetudinários) se sobrepõem, de alguma forma, às operações diretas suas ou da sua cadeia de suprimentos?
- O cliente/holding avalia e relata quantos hectares e qual proporção das terras totais das operações diretas ou da cadeia de suprimentos da empresa/investimento se sobrepõem aos territórios de comunidades indígenas e locais?
Em valores percentuais, quantas das commodities produzidas ou adquiridas pela empresa foram avaliadas quanto a riscos de violações de direitos humanos associadas?
Isso pode ser feito de forma eficaz enviando uma pesquisa para os clientes/holding para os quais os dados não estão disponíveis, pedindo que eles forneçam informações diretamente à sua organização. Se a sua organização tiver capacidade para isso, uma lista padronizada de perguntas pode ser usada para todos os clientes/holding relevantes, com perguntas direcionadas, incluindo:
- Informações sobre quaisquer queixas pendentes relacionadas a desmatamento, conversão ou violações de direitos humanos que se refiram ao cliente/holding e os detalhes dessas denúncias.
- Quais sistemas eles têm para lidar com os riscos de desmatamento, conversão e riscos associados a violações de direitos humanos, como políticas, sistemas de rastreabilidade, monitoramento de fornecedores.
- Quantos hectares de desmatamento e conversão de outros ecossistemas naturais ocorreram em suas operações, cadeia de suprimentos ou projetos financiados no último ano, cinco anos e/ou após a data limite (se especificada).
Essas informações podem então ser usadas para gerar classificações de risco utilizando ferramentas como no Guia do Investidor da Ceres.
Como parte da coleta de dados, você também pode pedir que os clientes/holdings divulguem as ações que estão realizando para ajudar a alcançar um futuro positivo para a natureza e as pessoas. Ações positivas não são um substituto para prevenir desmatamento, conversão e violações associadas aos direitos humanos. Elas podem ser usadas pela sua organização para avaliar o risco de transição dos clientes/holdings em seu portfólio, mas apenas como complemento às suas ações para mitigar desmatamento, conversão e violações aos direitos humanos. Isso pode incluir informações como:
- A proporção da receita proveniente de ou financiando projetos de agricultura sustentável.
- Investimentos ou participação em projetos de conservação do meio ambiente.
- Investimentos ou participação em projetos para apoiar povos indígenas e comunidades locais.
Usando os dados coletados nos processos acima, identifique quais de seus clientes/holdings têm maior exposição ao risco de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos. Ao mesmo tempo, identifique aqueles que estão tomando medidas insuficientes para mitigar esse risco. Essas categorizações podem então ser usadas para informar quais clientes/holdings devem ser priorizados para o engajamento na Fase 3 deste Roteiro.
O risco representado pelos clientes/holdings pode ser determinado avaliando a sua exposição ao risco de desmatamento, conversão e direitos humanos (seu risco potencial) e como eles gerenciam essa exposição (como limitam o risco).
Este Roteiro fornece métricas sugeridas, além de ferramentas e conjuntos de dados associados, que podem ser usados para determinar se um cliente/holding é de alto risco com base na sua exposição ao risco de desmatamento e suas atividades de mitigação.
Mais informações sobre como classificar clientes/holdings podem ser encontradas nos apêndices.
Depois de identificar o perfil de risco dos clientes/holdings, você poderá identificar quais recebem a maior parte do financiamento da sua instituição financeira. Isso permitirá garantir que seu engajamento futuro seja direcionado aos clientes/holdings onde sua instituição financeira tem o maior poder de influência e pode exercer a maior pressão para impulsionar o progresso na eliminação do desmatamento, da conversão e das violações de direitos humanos associados em seu portfólio.
Dados em nível de país sobre comércio de commodities, desmatamento, conversão, biodiversidade e violações de direitos humanos
Esses conjuntos de dados e ferramentas podem ser usados para informar sua identificação de países de alto risco para diferentes commodities, indústrias e setores de risco florestal. Esse conhecimento pode moldar e informar sua política de desmatamento, garantindo que ela cubra as principais regiões e países para sua exposição específica ao desmatamento, conversão e riscos associados à violação de direitos humanos.
- A UN COMTRADE fornece dados sobre o valor comercial e o volume de commodities e todos os associados de todos os países
- O MapBiomas fornece dados históricos e relatórios sobre a cobertura do uso da terra no Brasil, permitindo maior visibilidade de quais áreas/regiões estão em maior risco de desmatamento.
- O Verite Commodities Atlas fornece dados de nível nacional sobre o risco de trabalho infantil e causado nas cadeias de suprimentos de commodities
- O IBAT (Ferramenta Integrada de Avaliação da Biodiversidade) contém três conjuntos de dados – Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (a camada STAR é de particular relevância para este Guia), o Banco de Dados Mundial sobre Áreas Protegidas e o Banco de Dados Mundial de Áreas-Chave de Biodiversidade. Isso pode ser usado para identificar regiões de alto risco.
- O Prindex fornece dados baseados em países sobre as percepções da segurança da posse, bem como o nível local.
Exposição ao risco da empresa e perfis de desempenho
Esses conjuntos de dados e ferramentas podem ser usados para identificar e entender a exposição da empresa/investimento a commodities, setores e indústrias de risco florestal, e para entender a extensão e a eficácia de suas ações sobre desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados.
- O CDP Forests avalia as empresas em seu progresso em direção à remoção do desmatamento e da manipulação florestal causada por commodities de suas operações e cadeia de suprimentos, com base em suas divulgações do CDP. Isso fornece informações sobre os volumes de commodities de risco florestal que elas adquiriram, bem como suas ações e processos para lidar com o desmatamento em suas cadeias de suprimentos. As empresas recebem uma nota que pode ser usada para entender seu desempenho em desmatamento, sendo A a nota mais alta.
- A Forests and Finance avalia o financiamento de 300 empresas em cadeias de commodities de risco florestal e avalia as políticas de instituições financeiras envolvidas. Isso pode ser usado para entender como as instituições financeiras em seus portfólios estão vinculadas ao risco de desmatamento e para avaliar seu desempenho.
- Forest IQ é uma plataforma que fornece dados sobre como mais de 2.000 empresas estão lidando com sua exposição ao desmatamento usando três estatísticas principais: exposições, materialidade e desempenho em relatórios.
- Os projetos Forest 500 e Forest 500 – Finance identificam como 500 empresas e 150 instituições financeiras com maior exposição ao risco de desmatamento por meio de sua produção, processamento, aquisição e financiamento de commodities florestais de maior risco. O conjunto de dados de acesso aberto também inclui dados sobre volumes de commodities usadas, bem como uma classificação total para cada empresa e instituição financeira por seu desempenho em desmatamento e violações de direitos humanos. Também disponível via Forest IQ.
- O projeto Floresta 250 da Global Canopy identifica 175 empresas e 75 instituições financeiras com maior exposição por meio da produção, processamento, aquisição e financiamento de produtos de carne bovina e couro. Também disponível via Forest IQ.
- O Global Forest Watch Pro usa dados geoespaciais para monitorar empresas e bancos em cadeias adequadas de commodities de risco florestal e pode ser usado para avaliar o desempenho de participações upstream de alto risco na implementação de seus compromissos de desmatamento.
- Trase mapeia cadeia de suprimentos de risco florestal que conectam países consumidores e comerciantes com locais de produção veja, permitindo que fundos de pensão quais de seus ativos estejam expostos a regiões e commodities de alto risco, por meio de comerciantes em cadeia de suprimentos de commodities de risco florestal.
- A ZSL SPOTT avalia produtores e aceleração de óleo de palma, madeira, papel e borracha com base na força de suas políticas ESG e publica a avaliação completa on-line, permitindo que você identifique a exposição de clientes/holdings a commodities de risco florestal e entenda seu desempenho em questões relacionadas com base em uma classificação numérica e nos detalhes de suas avaliações.
- O ENCORE mapeia os impactos e dependências de diferentes setores econômicos na natureza e pode ser usado para identificar e avaliar riscos relacionados à natureza em nível de setor e subsetor.
- A Ferramenta de Financiamento do Uso da Terra pode ser usada para identificar quais fluxos de financiamento são livres de desmatamento ou estão alinhados com quaisquer compromissos climáticos pré-existentes, ou que pode ser usada para entender a exposição e o desempenho das instituições financeiras que estão em seus portfólios.
- O RepRisk fornece dados e análises sobre os riscos de confiança apresentados por clientes/holdings, que podem ser usados para entender seu desempenho em relação ao desmatamento e ao risco associado de abuso de direitos humanos, analisando quaisquer sinais contra a empresa/investimento.
- A Mesa Redonda de Óleo de Palma Sustentável (RSPO) – ACOPs fornece dados sobre o volume de óleo de palma e derivados produzidos, processados ou adquiridos pelas empresas associadas à RSPO, incluindo a quantidade verificada em conformidade com seus padrões (equivalente ao desmatamento bruto zero).
- A Mesa Redonda sobre Soja Responsável (RTRS) fornece dados cruciais sobre a produção, processamento e aquisição de soja, milho e outros grãos, com foco em práticas de fornecimento responsável.
- O Forest Stewardship Council (FSC) tem um banco de dados de certificados públicos que mostram os volumes de madeira, celulose, papel e borracha usados por clientes/holdings, incluindo o volume verificado como compatível com os padrões do FSC (equivalente ao desmatamento bruto zero).
- O Programa de Endosso da Certificação Florestal (PEFC) tem uma lista de detentores de certificados que mostra quais fornecedores são certificados de acordo com suas certificações de cadeia de custódia e manejo florestal (equivalente a livre de desmatamento)
- A Rainforest Alliance tem um banco de dados de detentores de certificados que mostram quais fornecedores de cacau e café estão em conformidade com os padrões da Rainforest Alliance: Farm (equivalente a livre de desmatamento)
- A S&P Global fornece classificações relevantes ESG para empresas, que podem ser usadas para identificar seu desempenho em algumas das principais questões relacionadas ao desmatamento, conversão e violação de direitos humanos.
- A Supply Change avalia mais de 700 empresas em suas políticas de desmatamento de cacau para commodities, incluindo palma, soja e soja, e fornece uma classificação para cada empresa com base em seu desempenho em indicadores-chave, fornecendo detalhes de suas avaliações.
- WWF Scorecard em óleo de palma, soja, madeira fornecem análises das principais empresas que operam em diferentes segmentos da cadeia de suprimentos, permitindo que você entenda o desempenho e a exposição das principais empresas que operam essas cadeia de suprimentos em relação ao desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados.
- O WWF Biodiversity Risk Filter e o WWF Water Risk Filter são ferramentas corporativas e de portfólio para ajudar empresas e investidores a priorizar ações sobre informações mais importantes para abordar os riscos hídricos e de biodiversidade.
- O Business & Human Rights Resource Center armazena notícias e informações relacionadas ao impacto dos direitos humanos de mais de 20 mil empresas. Dependendo da disponibilidade dos dados, isso varia de um estudo de artigos a mais de uma década de notícias, relatórios da sociedade civil e divulgação de empresas.
Dados geoespaciais sobre produção, desmatamento e conversão
Esses conjuntos de dados e ferramentas geoespaciais fornecem dados detalhados e geograficamente precisos sobre desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados no local, incluindo links para commodities e regiões importantes e, para algumas, também empresas e instituições financeiras.
- Atlas de Nusantara fornece mapas de concessões e fábricas de celulose e óleo de palma no Sudeste Asiático, o que pode ajudar a identificar quais clientes/holdings estão operando em regiões de alto risco.
- O Global Forest Watch Pro usa dados geoespaciais para monitorar empresas e bancos em cadeias de commodities de risco florestal adequadas e pode ser usado para entender a extensão do desmatamento em cadeias de commodities de risco florestal e financiamento, incluindo aqueles de clientes/holdings específicos.
- O Land Matrix fornece informações sobre grandes investimentos agrícolas e aquisições de terras em quase 100 países, incluindo informações sobre investidores, commodities e escopo, que podem ser usadas para entender a exposição de empresas e instituições financeiras ao risco de desmatamento com base em suas aquisições de terras.
- O Atlas de Justiça Ambiental mapeia conflitos socioambientais e pode ser usado para entender os principais riscos socioambientais relacionados à produção de commodities com risco florestal em regiões específicas, bem como identificar conflitos que podem estar vinculados a clientes/holdings no portfólio.
- O IBAT (Ferramenta Integrada de Avaliação da Biodiversidade) contém três conjuntos de dados – Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (a camada STAR é de particular relevância para este Guia), o Banco de Dados Mundial sobre Áreas Protegidas e o Banco de Dados Mundial de Áreas-Chave de Biodiversidade. Isso pode ser usado para identificar regiões de alto risco, ou para informar sua avaliação aprofundada de clientes/holdings.
- O MapBiomas fornece dados históricos sobre o uso e a cobertura da terra no Brasil (cobertura da terra incluindo agricultura, pastagem e mineração, e mudanças no uso da terra incluindo desmatamento, incêndios e regeneração), no Gran Chaco (cobertura da terra incluindo agricultura e pastagem, e mudanças no uso da terra) e na Indonésia (cobertura da terra incluindo agricultura, pastagem, mineração e mudanças no uso da terra).
- A Satelligence fornece insights em tempo real sobre a produção agrícola global e os riscos da cadeia de suprimentos, incluindo o desmatamento em várias cadeias de suprimentos de commodities leves. Os produtos incluem o WRI RADD , que permite que instituições financeiras usem radar para detectar desmatamento (RADD) e pode ser usado para avaliar o progresso e o desempenho de participações upstream de alto risco em desmatamento e conversão.
- A Trase tem dados espaciais sobre desmatamento territorial e de commodities para jurisdições subnacionais de soja e pastagens na América do Sul e óleo de palma na Indonésia.
- O Dynamic World fornece um conjunto de dados globais com resolução de 10 m, quase em tempo real, sobre a cobertura do solo, que inclui árvores, plantações, grama e arbustos, e pode ser usado para identificar pontos críticos de mudança no uso do solo de forma contínua.
- O MapHubs fornece um serviço de monitoramento de desmatamento para a África Central (Forest Report) e óleo de palma (palmoil.io) que rastreia reclamações e riscos de desmatamento de empresas e ETFs.
- A Starling fornece monitoramento de desmatamento personalizado, permitindo que as empresas monitorem o desmatamento em suas cadeias de suprimentos, mas também podem ser usadas para monitorar ou avaliar o desempenho de clientes/holdings de alto risco de desmatamento. Esses produtos de dados usam dados de satélite óptico e de radar, incluindo satélites Landsat da NASA e Sentinel 1 e Sentinel 2 da Agência Espacial Europeia (ESA) e satélites comerciais como Planet e Airbus.
Dados de risco de direitos humanos
Os seguintes conjuntos de dados e ferramentas focam em direitos humanos, incluindo aqueles associados ao desmatamento e à conversão. Os dados são usados para informar quais clientes/holdings provavelmente estão expostos a altos riscos e impactos de abuso de direitos humanos.
- O banco de dados do Órgão do Tratado de Direitos Humanos da ONU fornece detalhes de registros e questões de diferentes órgãos do Tratado de Direitos Humanos, que podem ser filtrados por país e órgão do Tratado de Direitos Humanos, para identificar quais países estão particularmente em risco de divulgação de direitos humanos.
- O Land Portal Geoportal fornece um mapa com camadas sobre posse de florestas, corrupção, restauração de paisagens florestais e direitos de terras indígenas e comunitárias, que podem ser usados para informar sua compreensão de regiões e áreas de alto risco onde clientes/holdings estão operando ou adquirindo terras em potencial conflito de direitos de terras comunitárias.
- Mapa de referência de terras indígenas e comunitárias, que pode ser usado para identificar onde os povos indígenas têm direitos à terra, aos recursos e ao território e quais regiões podem estar em risco de conflito sobre direitos de uso da terra e Consentimento Livre, Prévio e Informado.
- O mapa de risco da Fairtrade fornece um mapa com camadas que descrevem a exposição ao risco nos 129 países em que a Fairtrade opera em 9 questões importantes, incluindo direitos trabalhistas, igualdade de gênero e biodiversidade
- O Verite Commodities Atlas fornece dados em nível de país sobre o risco de trabalho infantil e causado nas cadeias de suprimentoss de commodities, destacando quais países correm maior risco desses direitos humanos.
- O Atlas de Justiça Ambiental mapeia conflitos socioambientais e pode ser usado para entender os principais riscos socioambientais relacionados à produção de commodities de risco florestal em regiões específicas, bem como identificar conflitos que podem estar vinculados a clientes/holdings no portfólio.
- A Global Witness fornece um relatório anual sobre os assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente nos últimos 12 meses, que pode ser usado para identificar clientes/holdings com alto risco de estarem ligados à violência e ameaças contra defensores de florestas, terras e direitos humanos.
- O Índice Global de Direitos da Federação Sindical Internacional fornece dados a nível de país sobre o estado dos direitos laborais essenciais, nomeadamente, a liberdade de associação, o direito à negociação colectiva e o direito à greve.
- O Índice Global de Desigualdade de Gênero fornece dados sobre desigualdade de gênero em nível nacional em 14 indicadores que abrangem participação econômica, educação, saúde e empoderamento político.
Observe que, embora esses conjuntos de dados e ferramentas sejam úteis para entender o desmatamento, a conversão e os riscos associados aos direitos humanos, nenhum fornece todos os dados e informações relevantes por si só e é melhor usado em combinação. Uma lista adicional de conjuntos de dados e ferramentas aplicáveis está disponível na iniciativa Accountability Framework.
Detalhes das métricas sugeridas que podem ser usadas para identificar clientes/holdings de alto, médio e baixo risco podem ser encontradas nos apêndices.
Além das fontes destacadas acima, dados e orientações para esta avaliação podem ser extraídos de fontes selecionadas especificamente para cadeias de fornecimento de gado no Brasil:
Compreensão da exposição ao risco
- O Beef Toolkit da Proforest usa análise de risco para avaliar riscos sociais e ambientais em áreas de produção e para identificar o risco de não conformidade dentro dos fornecedores. Nesta fase, o Elemento 2b: Análise de Risco é particularmente útil. Este elemento ajuda a avaliar e identificar riscos associados ao desmatamento, conversão de ecossistemas, condições de trabalho e outras preocupações ambientais e sociais em toda a cadeia de suprimentos de carne bovina.
- A Exposição ao Risco de Capital Natural do Setor Financeiro no Brasil do WBCSD fornece aos investidores e bancos insights sobre como integrar o capital natural, incluindo o desmatamento, em seus processos de tomada de decisão de financiamento e investimento, oferecendo orientação sobre como avaliar e gerenciar esses riscos.
Recursos e ferramentas de geomonitoramento de desmatamento e conversão
- O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é o banco de dados oficial para informações relacionadas a terras no Brasil. Ele fornece dados valiosos sobre registro de terras e informações de polígonos agrícolas, garantindo que os requisitos regulatórios sejam seguidos por clientes e propriedades. O CAR ajuda a monitorar a conformidade com a lei socioambiental do Brasil, exigindo que os proprietários de terras registrem suas propriedades, permitindo que as autoridades rastreiem e gerenciem áreas de conservação, reservas florestais e passivos ambientais.
- O PRODES do INPE oferece dados oficiais sobre desmatamento e conversão de ecossistemas no Brasil. O sistema utiliza imagens de satélite para monitorar o desmatamento em biomas-chave e fornece dados consolidados anuais, que são essenciais para analisar tendências de longo prazo e desenvolver estratégias eficazes contra o desmatamento.
- O DETER do INPE usa imagens de satélite para detectar desmatamento e outras alterações na cobertura do solo em tempo real, permitindo a rápida identificação de áreas que estão sendo desmatadas ou convertidas no Brasil.
- O MapBiomas fornece dados detalhados em tempo real sobre mudanças no uso e cobertura da terra em todo o país, gerando gráficos, relatórios e outros insights abrangentes sobre como a terra está sendo usada e transformada.
- O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) fornece shapefiles para todas as unidades de conservação no Brasil, oferecendo informações geográficas detalhadas sobre áreas protegidas. Ao consultar a lista e os shapefiles de unidades de conservação legalmente estabelecidas, os investidores podem garantir que as atividades de produção de carne bovina de seus clientes/holdings não estejam ocorrendo dentro dessas áreas protegidas, evitando riscos reputacionais e legais associados ao fornecimento de áreas que podem estar sujeitas a restrições de conservação.
- O TerraBrasilis do INPE permite a análise de focos de incêndio em ecossistemas nativos, possibilitando o rastreamento de áreas onde ocorreram incêndios e identificando regiões onde a vegetação nativa foi suprimida pelo fogo.
- Lista de municípios prioritários do Ministério do Meio Ambiente identifica os municípios que estão em maior risco de desmatamento e conversão de ecossistemas e são prioridade para ações governamentais.
- A Lista de Embargos do IBAMA ou embargos do ICMBio pode ser consultada para identificar áreas embargadas por desmatamento ilegal ou para verificar empresas/clientes envolvidos em atividades ambientais prejudiciais. Ao verificar esses embargos, os investidores podem identificar áreas de alto risco em suas cadeias de suprimentos e mitigar riscos reputacionais e financeiros associados à não conformidade ambiental.
Dados associados ao risco de direitos humanos
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- A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) fornece shapefiles de todas as Terras Indígenas legalmente protegidas . A lista e os shapefiles de Terras Indígenas legalmente estabelecidas podem ser acessados para garantir que atividades de produção não estejam ocorrendo nessas áreas.
- O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) fornece shapefiles de todos os Territórios Quilombolas legalmente protegidos. Consulte a lista e os shapefiles de Territórios Quilombolas legalmente estabelecidos para garantir que as atividades de produção não se sobreponham a essas áreas ou impactem comunidades tradicionais.
- A Lista Suja de Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego pode ser consultada para identificar clientes/holdings no Brasil condenados por envolvimento em trabalho escravo. Esta lista pública inclui entidades que foram descobertas explorando trabalhadores em condições consideradas análogas à escravidão. Ao consultar esta lista, os atores interessados podem avaliar o risco de violações de direitos humanos em suas cadeias de suprimentos e garantir que seus fornecedores não estejam envolvidos em práticas que violem direitos trabalhistas.
Uma combinação desses conjuntos de dados e ferramentas, e os listados globalmente, deve ser usada para garantir que uma análise completa seja alcançada.
- A Due Diligence do DFF para financiamento sem desmatamento: Orientação para instituições financeiras fornece uma árvore de decisão que pode determinar o risco de exposição de um cliente em 6 etapas com critérios de triagem detalhados delineados para cada uma delas
- O CDP oferece orientação sobre como seus diferentes conjuntos de dados podem ser integrados aos seus processos de financiamento pré-existentes, incluindo seu conjunto de dados florestais. Isso inclui orientação sobre como seus dados podem informar a seleção e o gerenciamento de risco, mas você também pode entrar em contato com o CDP diretamente para especificações.
- A página 48 de “Avaliação de ferramentas de desmatamento e análise de lacunas: Como os investidores podem gerenciar o risco de desmatamento” da KLP, Storebrand, Rainforest Foundation Norway e Hindsight Consultancy fornece uma representação visual do processo para investidores avaliarem o risco de desmatamento para uma determinada empresa, o que está alinhado com esta etapa.
- O Kit de Ferramentas do Investidor sobre Direitos Humanos da Investor Alliance for Human Rights fornece informações adicionais sobre como as instituições financeiras podem abordar riscos e impactos aos direitos humanos em seus portfólios.
- “Avaliação de impactos de portfólio” do WWF fornece orientação sobre como diferentes ferramentas podem ser usadas para avaliar a biodiversidade e as pegadas dos ODS, com foco na avaliação de impactos.
- “Finanças Espaciais: Desafios e Oportunidades em um Mundo em Mudança” do WWF detalha como os dados espaciais podem ser usados para avaliar e monitorar os ativos das empresas, que podem ser usados nesta etapa, por exemplo, para dar suporte à verificação de relatórios de clientes/holdings.
Detalhes das métricas sugeridas que podem ser usadas para identificar clientes/holdings de alto, médio e baixo risco podem ser encontradas nos apêndices.
Apêndices
Os riscos representados por clientes/holdings podem ser determinados avaliando sua exposição a riscos de desmatamento (seus riscos potenciais) e como eles gerenciam sua exposição (ou seja, como limitam os riscos).
Este roteiro apresenta métricas sugeridas e ferramentas e conjuntos de dados associados que podem ser usados para determinar se um cliente/holding é de alto risco com base em sua exposição a riscos de desmatamento e suas atividades de mitigação.
Este roteiro não sugere categorizações de alto, médio e baixo risco com base nas métricas propostas, mas, no futuro, isso pode vir a fazer parte de orientações específicas para cada ator.
Métricas adicionais estão disponíveis na Metodologia Comum da iniciativa do Accountability Framework.
| Métricas potenciais | Fontes/ferramentas úteis | |
| Identificação da exposição a riscos de desmatamento |
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| Identificação das medidas adotadas para
gerenciar os riscos de desmatamento |
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Estabelecer uma política robusta sobre desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associadas inclui implementar compromissos claros e abrangentes, especificando requisitos para seus clientes/holdings e estabelecendo um caminho claro para determinar quando o engajamento é necessário. Essa política deve priorizar as nove commodities agrícolas de maior risco florestal – soja, carne, couro, óleo de palma, madeira, celulose e papel. Sua organização também pode estender a política para outros setores e indústrias de alto risco.
Ao definir uma política forte sobre desmatamento, você:
- Envia uma mensagem forte interna e externamente, e permite que os atores interessados os responsabilizam por sua nova política
- Define expectativas claras para clientes/holdings e como os riscos serão gerenciados
- Garante uma abordagem institucionalizada do seu financiamento e do engajamento
Ação recomendada (AR) 1: Estabeleça uma política forte
Uma política robusta é essencial para comunicar as intenções da sua organização e fornecer a base para futuras ações e monitoramento de progresso. Esta política deve ser disponibilizada publicamente e deve comprometer sua organização a garantir que todas as carteiras e portfólios estejam livres de desmatamento e conversão impulsionados por commodities, bem como de abusos de direitos humanos associados, dentro de quatro anos a partir do início do Roteiro. Para aqueles que iniciaram este Roteiro em 2021, isso deve ser concluído até 2025. A política deve abranger todas as atividades de financiamento, novas e existentes, incluindo financiamento direto e indireto de todos os tipos.
Políticas robustas sobre desmatamento, conversão e riscos associados a violações de direitos humanos comprometem as instituições financeiras a alcançar finanças que estejam em conformidade com:
- Livre de desmatamento / Livre de desmatamento / Sem desmatamento bruto de todas as florestas naturais (tanto legal quanto ilegal), conforme definido pela iniciativa Accountability Framework:
- Florestas naturais incluem florestas primárias, florestas secundárias e florestas naturais manejadas, mas excluem plantações de árvores.
- Florestas são definidas como áreas de terra com mais de 0,5 hectares, com árvores superiores a 5 metros de altura e cobertura de copa superior a 10%, ou árvores que possam atingir esses limites no local. Florestas não incluem terras predominantemente sob uso agrícola ou outro tipo de uso da terra.
- “Sem desmatamento” refere-se tanto ao desmatamento legal quanto ilegal.
- Mais informações sobre a definição e identificação de florestas naturais e desmatamento são fornecidas nas definições e Orientações Operacionais da Accountability Framework sobre como aplicar essas definições.
- Sem conversão / Livre de conversão / Sem conversão bruta de todos os ecossistemas naturais, conforme definido pela iniciativa Accountability Framework:
- Ecossistemas naturais incluem pântanos, savanas, pradarias e outros ecossistemas.
- A produção, o fornecimento ou investimentos financeiros em commodities que não causam nem contribuem para a conversão de ecossistemas naturais (conforme definido pela Accountability Framework).
- “Sem conversão” refere-se tanto à conversão legal quanto ilegal.
- Mais informações sobre a definição e identificação de ecossistemas naturais e conversão são fornecidas nas definições e Orientações Operacionais da Accountability Framework sobre como aplicar essas definições.
- Proteção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente em alinhamento com os Princípios Orientadores da ONU, especificamente os seguintes direitos humanos associados:
- O Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) dos povos indígenas e comunidades locais.
- Os direitos dos povos indígenas sobre terras, recursos e territórios.
- Direitos dos trabalhadores (incluindo contratados, pequenos proprietários e funcionários temporários) nos pontos de produção, incluindo desde o ponto de desmatamento até a produção ativa, para as commodities de maior risco florestal. Quando uma instituição financeira ou empresa estiver se envolvendo ou monitorando uma cadeia de suprimentos para riscos de desmatamento ou direitos territoriais, os direitos trabalhistas devem ser incluídos nos esforços de engajamento ou monitoramento para eliminar violações desses direitos também.
- Conforme definido pelo Princípio Central 2.3 da Accountability Framework, isso inclui o direito à liberdade de associação e a ser livre de trabalho forçado, trabalho infantil e discriminação, conforme a OIT, e garantir a inexistência de práticas abusivas ou procedimentos disciplinares indevidos, horas de trabalho legais e decentes, ambientes de trabalho e de vida seguros e saudáveis, salários dignos e benefícios justos.
- zero tolerância para ameaças ou ataques aos defensores dos direitos humanos e do meio ambiente..
A política pode ser alcançada em etapas, se necessário, por exemplo, começando com a eliminação do desmatamento de seus portfólios e, em seguida, progredindo para abordar a conversão de ecossistemas vulneráveis, e depois para abordar a conversão de todos os ecossistemas, com o objetivo de eliminar todos esses pontos citados em quatro anos, ou em 2025, se a instituição financeira adotou a implementação em 2021.
Políticas robustas de desmatamento, conversão e direitos humanos abordam o desmatamento e a conversão, independentemente de sua legalidade. Além de reduzir o risco regulatório imposto pelo desmatamento ilegal, abordar apenas o desmatamento ilegal não elimina os riscos sistêmicos, financeiros ou reputacionais que o desmatamento e a conversão representam para o setor financeiro.
Em muitos países, as leis para proteger florestas e outros ecossistemas naturais são insuficientes – o que significa que grandes áreas de floresta ainda podem ser desmatadas. Além disso, mesmo onde as leis existem, sua aplicação muitas vezes é inadequada, o que significa que o desmatamento ilegal ainda pode ocorrer em cadeias de suprimentos ou projetos financiados, e os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais não são protegidos.
Para reduzir esses riscos, as instituições financeiras precisam incluir tanto o desmatamento ilegal quanto o legal em suas políticas de desmatamento, conversão e riscos associados aos direitos humanos.
Os governos podem reverter ou enfraquecer leis existentes para proteger florestas, de modo que o desmatamento ilegal hoje possa se tornar legal no futuro. Legislações e políticas de financiadores que visam apenas o desmatamento “ilegal” correm o risco de acelerar as taxas de desmatamento, oferecendo incentivos econômicos para a desregulamentação nos países produtores. Isso pode aumentar os riscos regulatórios, financeiros e de reputação para as empresas e aqueles que as financiam.
Exigir e apoiar clientes ou holdings na eliminação de todas as formas de desmatamento pode, na verdade, facilitar a implementação tanto dos seus compromissos quanto dos deles. De forma geral, é mais simples para clientes ou holdings identificarem se os produtos agrícolas que produzem, processam, compram ou financiam estão associados a riscos de desmatamento e conversão de ecossistemas. Por outro lado, avaliar se o desmatamento está realmente ocorrendo — e, em seguida, determinar se ele é legal ou não em cada caso — costuma ser um processo muito mais complexo.
Essa complexidade se deve, em grande parte, à existência de leis inconsistentes, sobrepostas ou até contraditórias nos níveis federal, estadual e municipal, além do acesso limitado a dados confiáveis sobre conformidade legal.
- Definir uma data prevista ambiciosa para eliminar o desmatamento, a conversão de ecossistemas e as violações de direitos humanos associadas de seus portfólios, o que deve ocorrer o mais breve possível, ou no máximo dentro de quatro anos a partir da adoção deste roteiro.
Esta política deve fazer com que sua organização se comprometa a financiar apenas clientes/holdings e projetos que operem de acordo com os padrões de sua política, e a oferecer caminhos para que a instituição financeira comece a se engajar com quaisquer clientes/holdings que não estejam conforme para trazê-lo à conformidade dentro de um prazo determinado. Esta política deve incluir explicitamente tanto os clientes/holdings ou projetos existentes, potenciais e novos.
Além dos elementos principais da política listados acima, esta política deve fornecer detalhes suficientes e especificidade sobre seu escopo em relação ao portfólio geral da sua organização, os principais requisitos para clientes/holdings e as principais formas de operacionalizar a política. Esses detalhes podem ser especificados no próprio compromisso da política ou em documentos públicos associados.
A política deve ser clara, específica e transparente, em conformidade com o Accountability Framework, incluindo:
- Ser totalmente transparente e publicamente disponível.
- Exigir que clientes/holdings que operam em todas as etapas das cadeias de suprimentos garantam que as commodities de risco florestal que produzem, processam, adquirem ou financiam não tenham contribuído para o desmatamento ou a conversão de ecossistemas naturais, ou violações de direitos humanos, conforme definido pela iniciativa Accountability Framework.
- Ter data prevista clara e outros prazos definidos.
- O Accountability Framework recomenda uma data prevista de no máximo 2025 para eliminar o desmatamento e a conversão das cadeias de suprimentos, a fim de refletir a urgência de agir sobre as crises da biodiversidade e do clima. Esta recomendação também está alinhada com os padrões estabelecidos por várias outras iniciativas-chave, incluindo SBTi-FLAG e Race to Zero.
- Estabelecer datas-limite claras alinhadas a regulamentos locais e iniciativas globais.
- A iniciativa Accountability Framework recomenda que seja definido o ano de 2020 como data-limite para o desmatamento e observa que essa data deve estar alinhada às metas globais de deter o desmatamento, bem como às datas usadas em mecanismos regulatórios e voluntários.
- As instituições financeiras devem recomendar compromissos com datas-limite de desmatamento alinhadas a regulamentos locais relevantes, quando esses exigirem datas anteriores. Por exemplo, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne adotado por empresas que atuam na Amazônia recomenda 22 de julho de 2008 como data-limite.
- As políticas devem especificar o escopo da data-limite, garantindo que ela se aplique a todas as fontes relevantes e, ainda, que se aplique tanto ao desmatamento quanto à conversão legais e ilegais. Essa distinção é importante para nortear as decisões internas e o engajamento da empresa.
| Em conformidade com as melhores práticas, essas políticas devem ser aplicadas a todos os clientes/holdings em sua carteira, incluindo: | |
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A política deve identificar os principais mecanismos pelos quais sua organização pretende cumprir seus compromissos em relação ao desmatamento ligado a commodities, conversão e violações de direitos humanos associadas, que normalmente incluem (mas não se limitam a):
- Exigências para clientes/holdings: As exigências para clientes/holdings são uma maneira principal de sua organização transformar sua política em um mecanismo prático de implementação e monitoramento que pode ser aplicado em todo o seu portfólio. Recomendações específicas sobre o que incluir nessas exigências são fornecidas na Ação Recomendada 2, abaixo. Essas exigências podem ser incluídas em um documento separado, se apropriado, mas devem ser referenciadas na política da sua organização.
- Engajamento: Interagir com seus clientes/holdings e ajudá-los a atingir os padrões definidos em sua política e seus requisitos, colaborando com eles para remediar eventuais casos anteriores de desmatamento, conversão de ecossistemas ou violações de direitos humanos, em vez de suspender imediatamente o financiamento de clientes/holdings que ainda não estejam em conformidade com os requisitos da política. É importante trabalhar com os clientes para desenvolver metas alternativas ambiciosas nos casos em que elas não existirem.
- Redirecionamento de financiamento, se necessário: Inclua a retirada de financiamento como uma medida disponível quando apropriado e necessário para evitar novos danos ambientais ou de direitos humanos, ou no caso de clientes/holdings não resolverem questões identificadas dentro de um prazo razoável.
- Relatórios públicos: Comprometa-se a relatar publicamente o progresso que sua organização está fazendo na implementação de sua política e no alcance das metas e objetivos estabelecidos.
- Mecanismo de denúncias: Forneça um mecanismo de denúncias acessível ao público no site da sua organização, permitindo que detentores de direitos e partes externas, incluindo ONGs e clientes, reportem preocupações e denúncias à sua organização. Isso pode ser usado para fortalecer ainda mais seus processos de avaliação de riscos e due diligence na Fase 3.
Além dos principais elementos listados acima, esta política deve fornecer detalhes e especificidade suficientes sobre seu escopo em relação à exposição da organização a riscos de desmatamento, conversão de ecossistemas e violações de direitos humanos associadas no Brasil, além dos principais requisitos para clientes/holdings e os principais meios de operacionalização da política. Esses detalhes podem ser especificados na própria política ou em documentos públicos que a acompanhem.
A declaração deve:
- Abranger todas as atividades de financiamento novas e existentes, incluindo financiamento direto e indireto;
- Incluir requisitos contratuais claros que vinculem o financiamento a compromissos explícitos de restauração de áreas desmatadas ilegalmente e de implementação de sistemas de gestão sustentáveis em conformidade com os requisitos regulamentares;
- Definir uma data prevista ambiciosa para eliminar o desmatamento, a conversão de ecossistemas e as violações de direitos humanos associadas de seus portfólios, o que deve ocorrer o mais breve possível, ou no máximo dentro de quatro anos a partir da adoção deste roteiro.
A política deve ser clara, específica e transparente, em conformidade com o Accountability Framework, e incluir os seguintes elementos:
- Ser totalmente transparente e de acesso público;
- Exigir que os clientes/holdings, em todas as etapas das cadeias de suprimentos, garantam que os produtos de risco florestal que produzem, processam, compram ou financiam não tenham contribuído para o desmatamento ou a conversão de ecossistemas naturais, nem para violações de direitos humanos, conforme definido pela Accountability Framework Initiative;
- Estabelecer metas com prazos claros e definidos.
- O Accountability Framework recomenda que a data-limite para eliminar o desmatamento e a conversão das cadeias de suprimentos seja no máximo até 2025, refletindo a urgência das crises climática e de biodiversidade. Essa recomendação também está alinhada com os padrões de várias outras iniciativas importantes, como o SBTi-FLAG e a Race to Zero.
- Além disso, é importante garantir que o prazo definido esteja alinhado com os compromissos específicos do contexto brasileiro. O Brasil estabeleceu a meta de interromper o desmatamento e a conversão em todos os biomas do país até 2030.
O Código Florestal do Brasil regulamenta as propriedades rurais e sua vegetação natural, estipulando que os proprietários de terras devem preservar áreas de vegetação nativa conhecidas como “reservas legais” e “áreas de preservação permanente”. Embora a lei permita o desmatamento legal dentro de certos limites, ela exige que determinada porcentagem da propriedade seja dedicada à conservação. A área percentual exigida difere entre as regiões: no bioma Amazônia, 80% da propriedade precisa manter uma cobertura florestal (podendo cair para 50% em alguns casos); no Cerrado dentro da Amazônia Legal, 35%; e em outras regiões e biomas, apenas 20%. Essas zonas protegidas são essenciais para o fornecimento de serviços ecossistêmicos, embora sua natureza fragmentada e desconectada muitas vezes dificulta a plena realização desses benefícios.
O Brasil também dispõe de uma infinidade de marcos jurídicos que tratam de direitos humanos, terras indígenas e territórios quilombolas. Entretanto, apesar dessas proteções legais, o desmatamento é comum nesses territórios, o que coloca em risco os direitos e meios de subsistência de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Evitar todos os tipos de desmatamento nas cadeias de suprimentos também reduz os riscos de violações de direitos humanos associadas — além de outras contravenções mais graves.
As políticas mais robustas de combate ao desmatamento, à conversão e às violações de direitos humanos enfrentam o desmatamento e a conversão independentemente de seu status de legalidade. O enfrentamento apenas do desmatamento ilegal reduz os riscos regulatórios associados a essa atividade, mas não elimina os riscos sistêmicos, financeiros ou de reputação que o desmatamento e a conversão representam para o setor financeiro.
Mecanismos de implementação
- Engajamento: Interagir com seus clientes/holdings e ajudá-los a atingir os padrões definidos em sua política e seus requisitos, colaborando para remediar eventuais casos anteriores de desmatamento, conversão de ecossistemas ou violações de direitos humanos, em vez de suspender imediatamente o financiamento dos clientes/holdings que ainda não estiverem em conformidade com os requisitos da política. É importante trabalhar com os clientes para desenvolver metas alternativas ambiciosas nos casos em que elas não existirem.
- Mecanismos de denúncias: Disponibilizar um mecanismo de denúncias acessível ao público no site da organização, de forma a permitir que os titulares de direitos e aos atores interessados externos, inclusive ONGs e clientes, relatem suas preocupações e reclamações à organização. O mecanismo também deve ser acessível a povos indígenas, comunidades locais e pequenos agricultores, inclusive por meio de plataformas compatíveis com dispositivos móveis e/ou suporte técnico. O mecanismo público do governo brasileiro para a denúncia de violações de direitos humanos também pode ser vinculado ao(s) site(s) da organização. Isso pode ser usado para fortalecer ainda mais os processos de avaliação de riscos e due diligence na Fase 3.
Publicar sua política sobre desmatamento enviará uma mensagem clara para seus clientes/holdings de que você está ciente da importância de abordar o risco de desmatamento e permitirá que entendam cada ator responsável pelo progresso da sua política.
Ao fazer isso publicamente, você pode impulsionar mudanças além de sua organização e em todo o setor. Isso pode incluir o reconhecimento de que o desmatamento, conversão e violação de direitos humanos apresentam riscos regulatórios, financeiros ou de reputação, levando ao risco sistêmico.
Isso ajudará a garantir que a implementação de sua política sobre desmatamento não seja prejudicada por padrões ou expectativas internas pré-existentes.
Se houver políticas pré-existentes que conflitem com a sua política de desmatamento, conversão e violação de direitos humanos, busque atualizar essas políticas para evitar processos conflitantes para o time e associados à sua organização. O objetivo é garantir que a política sobre desmatamento, conversão e violação aos direitos humanos seja completamente incorporada nas práticas empresariais dentro de cada divisão ou função relevante da sua organização.
Isso também pode incluir a adição de cláusulas em novos e contratos de refinanciamento, que incorporem esses requisitos de política, e permitam que sua organização interrompa ou cancele o financiamento caso o desmatamento, conversão ou violação de direitos humanos associados persistam.
Por exemplo, os bancos devem idealmente incluir esses requisitos de política dentro das cláusulas de novos contratos de financiamento e refinanciamento, enquanto os gestores de ativos devem incluir os requisitos dentro de seus processos e políticas de investimento.
Aumentar o financiamento para ações positivas para a natureza e as pessoas pode ser feito por meio da criação de produtos financeiros sustentáveis, como fundos de investimento e títulos verdes ou sociais, que têm requisitos específicos para clientes/holdings sobre desmatamento, conversão de ecossistemas e violação de direitos humanos.
A ampliação dos financiamentos positivos para a natureza e as pessoas pode ser feita por meio da criação de produtos financeiros sustentáveis, como fundos de investimento e títulos verdes ou sociais, que têm requisitos específicos para clientes/holdings no que se refere ao desmatamento, à conversão e às violações de direitos humanos associadas.
Isso pode se manifestar numa variedade de produtos, como, por exemplo, a emissão de títulos verdes vinculados a metas de desmatamento zero, oferecendo condições de crédito mais favoráveis aos produtores que implementarem práticas sustentáveis sem desmatamento; ou produtos desenvolvidos para apoiar práticas regenerativas na pecuária que estejam alinhadas a compromissos de zerar as emissões líquidas e promover a restauração ambiental.
O escopo da política deve abranger, no mínimo, as commodities de risco florestal mais importantes globalmente: soja, carne bovina, couro, óleo de palma, madeira, celulose e papel. Expandir sua política para todas as commodities de risco florestal, setores e indústrias é essencial para alcançar portfólios financeiros livres de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados. Isso pode incluir outras commodities de risco florestal, como:
- Borracha
- Cacau
- Café
E para outros setores e indústrias, incluindo:
- Indústrias extrativistas, como extração de petróleo, gás, carvão, metais pesados
- Projetos de infraestrutura e empresas
Expandir sua política para todas as commodities de risco florestal, setores e indústrias é importante para enfrentar o risco sistêmico causado pelo desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados.
Para as indústrias e setores acima mencionados, é vital que os impactos indiretos ou em cadeia que possam representar riscos para as instituições financeiras desses projetos sejam considerados dentro de qualquer avaliação de risco e impacto. Os dados disponíveis para essas indústrias/setores ainda não estão amplamente disponíveis, mas à medida que esses dados se tornem acessíveis, este Roteiro será atualizado para refletir esses conjuntos de dados e ferramentas.
Embora este roteiro forneça orientações de alto nível sobre como alcançar carteiras livres de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados, ele se vincula a conjuntos de dados, ferramentas e orientações adicionais específicas para óleo de palma, soja, carne, couro, madeira e papel e celulose. As fases, etapas e ações recomendadas podem ser aplicáveis a outras commodities, setores e indústrias. Este Roteiro será seguido por orientações específicas para setores e para diferentes atores, que fornecerão mais detalhes.
- Os principais elementos das políticas de desmatamento mais robustas para as instituições financeiras podem ser encontrados no apêndices.
- O guia do usuário do Accountability Framework sobre “Como escrever uma política forte e ética para a cadeia de suprimentos” é direcionado a empresas, mas é um recurso útil para instituições financeiras, pois fornece detalhes sobre os principais elementos que especificam uma política robusta de desmatamento.
- O Accountability Framework fornece uma explicação e justificativa para selecionar um data de 2025 para eliminar o desmatamento e a conversão das cadeias de suprimentos e, portanto, dos portfólios financeiros.
- O quadro de pontuação do óleo de palma do WWF descreve as expectativas políticas para as empresas que compram óleo de palma, bem como para as instituições que financiam essas organizações
- O Manifesto da Soja do Reino Unido descreve as principais expectativas políticas para seus membros relacionados ao desmatamento e às políticas públicas de direitos humanos associadas nas cadeias de suprimentos de soja.
- O Guia dos Fóruns de Bens de Consumo para Fornecedores de Produtos Derivados de Gado (Frigoríficos no Brasil) descreve em detalhes os requisitos claros propostos para definir políticas fortes sobre produtos derivados de gado e vai além para destacar como as empresas podem assumir Compromissos Positivos de Floresta para produtos derivados de gado.
- O guia de política de fornecimento de madeira do FSC descreve recomendações importantes para empresas que pretendem definir uma política de fornecimento sustentável
- A World Cocoa Foundation nos mostra oito compromissos fundamentais para as empresas de cacau.
- Página 13 de Recomendações para investidores sobre riscos de desmatamento e conversão relacionados à pecuária e cadeias de fornecimento de carne bovina na América Latina descreve as principais recomendações para investidores que operam na região, fornecendo orientação sobre o desenvolvimento e a implementação de políticas de desmatamento zero e conversão zero para ajudar investidores a mitigar riscos ambientais associados ao desmatamento e à conversão de ecossistemas.
- As Visões e Princípios da cadeia de suprimentos do DCF do WWF descrevem os princípios e ações que empresas e investidores podem adotar para garantir a sustentabilidade em suas cadeias de suprimentos.
- As Data-limites comuns do Accountability Framework descrevem datas-limite comuns usadas nas cadeias de suprimentos de gado brasileiras, ajudando organizações a alinhar suas políticas de sustentabilidade para evitar desmatamento e conversão. Essas datas são críticas para rastrear e verificar o impacto ambiental dos fornecedores.
- O Fortalecimento dos Compromissos de Sustentabilidade no Setor de Carne Bovina Brasileiro foca na eliminação do desmatamento na Amazônia por meio de uma abordagem de cadeia de valor e políticas corporativas. Ele enfatiza esforços colaborativos entre vários atores envolvidos para criar práticas sustentáveis no setor de carne bovina, garantindo que as cadeias de suprimentos contribuam para práticas livres de desmatamento.
- O Guia de Políticas do Call to Action para Couro Livre de Desmatamento fornece orientação para desenvolver ou revisar políticas e compromissos de fornecimento livres de desmatamento e conversão de empresas de couro.
Ação recomendada 2: Definir e comunicar requisitos aos clientes/holdings
Uma vez definida a política da sua organização, é essencial estabelecer requisitos claros para os clientes/holdings no que se refere aos riscos de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos associados, a fim de garantir sua conformidade com a política e possibilitar um financiamento livre desses riscos.
Os requisitos definidos para clientes/holdings são um dos principais meios pelos quais sua organização transformará sua política em um mecanismo prático de implementação e monitoramento, aplicável a todo o portfólio. Esses requisitos servem de base para avaliar o desempenho de clientes/holdings, estruturar planos de melhoria com prazos definidos e monitorar e reportar o progresso alcançado. Por isso, é fundamental que os requisitos sejam claros, específicos e alinhados às boas práticas estabelecidas no Accountability Framework. Esse alinhamento ajuda a garantir que as exigências feitas aos clientes/holdings sejam similares ou idênticas às exigências e diretrizes já estabelecidas por compradores de commodities (como fabricantes e varejistas que adquirem commodities agrícolas ou produtos que as contenham), organizações da sociedade civil, associações setoriais e outros atores que também se alinham ao Accountability Framework.
Os requisitos para clientes/holdings devem incluir pelo menos alguns dos elementos listados abaixo:
- Assumir e publicar compromissos de produção e fornecimento livres de desmatamento e conversão, alinhados ao Accountability Framework com uma data-limite definida (diretrizes específicas para empresas estão disponíveis aqui)
- Assumir e publicar compromissos com o respeito aos direitos humanos reconhecidos internacionalmente, em conformidade com os Princípios Orientadores da ONU e o Accountability Framework, incluindo:
- Compromissos com os direitos dos povos indígenas e comunidades locais, incluindo a suspensão de qualquer uso, aquisição ou desenvolvimento de terras até que conflitos fundiários existentes tenham sido devidamente resolvidos, reparados e compensados em consulta com os titulares de direitos afetados;
- Compromissos com a obtenção do Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) antes de qualquer nova aquisição ou expansão territorial, respeitando inclusive decisões de não consentimento;
- Compromissos com a proteção dos direitos trabalhistas, tanto em suas operações próprias quanto em suas cadeias de suprimentos diretas e indiretas;
- Estabelecer compromissos para respeitar, proteger e garantir os direitos de defensores ambientais e de direitos humanos, em conformidade com a Zero Tolerance Initiative, e conduzir suas operações de acordo com a Declaração sobre o Direito e a Responsabilidade de Indivíduos, Grupos e Órgãos da Sociedade de Promover e Proteger os Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais Universalmente Reconhecidos, também conhecida como “Declaração sobre Defensores de Direitos Humanos”.
- Estabelecer e publicar compromissos com a rastreabilidade, aplicáveis a todos os níveis da cadeia de suprimentos (incluindo fornecedores indiretos), garantindo conhecimento e controle sobre os impactos de desmatamento, conversão e direitos humanos.
- Cessar imediatamente qualquer tentativa de adquirir, controlar ou desenvolver terras/recursos (ou apoiar tais ações por meio de fornecimento, financiamento ou outros meios) sempre que houver conflitos fundiários ou violações de direitos não resolvidos ou não reparados.
- Para clientes com casos ou queixas ativos de desmatamento, conversão ou violações de direitos humanos em suas operações ou cadeias financiadas, garantir a suspensão dessas práticas até que os danos sejam totalmente remediados.
- Ter mecanismos públicos de queixas disponíveis, por meio dos quais partes externas possam relatar preocupações ou queixas relacionadas a riscos de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos em suas operações, cadeias de suprimentos ou projetos financiados — como requisito mínimo.
- Oferecer remediação para quaisquer danos ambientais ou sociais causados.
- Estabelecer processos para lidar com fornecedores não conformes, visando prevenir reincidência e eliminar desmatamento, conversão e violações de direitos humanos das cadeias e portfólios.
- Estabelecer processos de monitoramento e verificação das próprias operações, fornecedores, projetos ou empresas financiadas, para garantir conformidade.
- Comprometer-se com a divulgação anual de progresso em relação aos compromissos assumidos e à exposição ao desmatamento, utilizando métricas e metodologias reconhecidas, como as do Accountability Framework, da Global Reporting Initiative (GRI) e do CDP Forests.
Esses requisitos podem ser comunicados como “expectativas” da organização a clientes/holdings atuais, potenciais e futuros, tanto em contextos individuais quanto coletivos de engajamento durante a Fase 3.
Os signatários do Compromisso do Setor Financeiro pela Eliminação do Desmatamento Induzido por Commodities desenvolveram um conjunto de expectativas compartilhadas de investidores, disponível publicamente, que pode ser usado como referência por outras instituições financeiras. Essas expectativas são fundamentadas no compromisso assumido pelas instituições signatárias e foram construídas com base em evidências científicas e boas práticas, devendo evoluir com o tempo.
Além do que foi exposto acima, os requisitos para clientes/holdings nas cadeia de suprimentos da pecuária no Brasil devem incluir, pelo menos, os seguintes elementos:
- Garantir que todas as comunidades tradicionais, incluindo povos indígenas e quilombolas, tenham reconhecimento legal de seus direitos à terra, tanto ao abrigo da legislação brasileira quanto no âmbito de acordos internacionais (por exemplo, Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas);
- Podem ser usadas referências como a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas ou o artigo 231 da Constituição Federal do Brasil (reconhecimento, demarcação, uso e gestão de terras indígenas);
- Certificar-se de que a política inclua requisitos como salários justos, ambientes de trabalho seguros e oportunidades iguais para todos os trabalhadores; A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) do Brasil define a estrutura de direitos trabalhistas do país, garantindo proteção aos trabalhadores, inclusive salários justos, saúde e segurança, e horas de trabalho regulamentadas;
- Certificar-se de que a política promova metas para fomentar a equidade de gênero, pois esse é um requisito essencial para promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável; A lei brasileira garante igualdade de remuneração para mulheres e homens realizando o mesmo trabalho ou trabalho de igual valor, com medidas adicionais que devem ser observadas pelas organizações, inclusive transparência salarial obrigatória; ademais, prevê penalidades legais e monetárias mais severas para quem descumprir a lei;
- Priorizar a inclusão de consultas a povos indígenas e comunidades locais, em alinhamento com as salvaguardas da Convenção 169 da OIT, bem como com os marcos jurídicos brasileiros, entre os quais:
- Constituição Federal de 1988:
- Artigo 231: Reconhece os direitos territoriais originais dos povos indígenas sobre “as terras tradicionalmente ocupadas por eles”, “garantindo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”;
- Artigo 232: Garante o direito dos povos indígenas à representação legal para defender seus direitos e interesses;
- Artigos 215 e 216: Protege a diversidade cultural do Brasil, incluindo os direitos das comunidades tradicionais de preservar suas práticas culturais e seus modos de vida;
- Decreto n.º 5.051/2004 e Decreto n.º 10.088/2019: Esses decretos regulamentam a Convenção 169 da OIT no Brasil, reafirmando a obrigação de cumprir suas salvaguardas, incluindo o consentimento livre, prévio e informado (CLPI);
- Lei n.º 9.985/2000 — Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC):
- Os artigos 5 e 11 reconhecem os direitos das comunidades tradicionais em áreas de conservação, exigindo consulta e consideração na criação, expansão ou gestão de unidades de conservação;
- Decreto n.º 6.040/2007 — Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT):
- Estabelece diretrizes para a promoção e proteção dos direitos das comunidades tradicionais, enfatizando o respeito a seus modos de vida e seu direito de participar dos processos decisórios que as afetam; e
- Reforça a necessidade de consultas como parte das políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais;
- Constituição Federal de 1988:
- Utilizar ferramentas robustas para rastrear fornecedores diretos e indiretos (desde as fases de reprodução, criação e engorda na cadeia de suprimentos) como parte da implementação de compromissos de zerar o desmatamento bruto, alavancando o Cadastro Ambiental Rural (CAR), como parte dos esforços para atingir a rastreabilidade total da carne bovina e/ou couro;
- Incorporar mecanismos específicos para incentivar o uso de tecnologias geoespaciais (por exemplo MapBiomas ou Prodes) para o monitoramento contínuo do cumprimento das exigências no âmbito da cadeia de suprimentos da pecuária;
- É importante destacar que rastreabilidade e monitoramento são conceitos distintos. Rastreabilidade refere-se à capacidade de acompanhar um produto ao longo de toda a sua cadeia de suprimentos, desde o ponto de origem até o consumidor final, incluindo todos os eventos, fazendas e fornecedores envolvidos. O monitoramento, por outro lado, geralmente envolve a avaliação isolada do desempenho de um produtor. Por exemplo, a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de um fornecedor e de documentos de identificação (como CNPJ ou CPF) constitui uma forma de monitoramento. No entanto, essa abordagem isolada pode ser insuficiente para avaliar plenamente a conformidade com os compromissos de não desmatamento e não conversão, pois não oferece visibilidade sobre toda a trajetória do produto na cadeia de suprimentos.
- Incluir requisitos que promovam a capacitação de pequenos pecuaristas, apoiando programas de crédito rural para práticas sustentáveis e rastreabilidade; e
- Fortalecer os mecanismos de mediação e compensação de danos ambientais e sociais, em consonância com a Política Nacional do Meio Ambiente e o Código Florestal do Brasil.
Notificar clientes/holdings atuais e potenciais sobre a política da sua organização e as expectativas descritas acima é uma etapa fundamental para promover mudanças por meio de suas atividades de financiamento. Para novos clientes/holdings — ou no momento da renovação de acordos financeiros — qualquer avanço adicional necessário (por exemplo, rastreabilidade de 100% das commodities até a fazenda de origem) deve ser claramente definido dentro dos contratos ou acordos financeiros firmados.
Além disso, é importante comunicar que todos os clientes/holdings atuais, potenciais ou futuros deverão:
- Estar em conformidade com a política da sua organização antes de receber produtos ou serviços financeiros; ou
- Estabelecer e publicar um compromisso com plano de ação com prazos definidos para se tornarem plenamente conformes com todos os requisitos da política da sua organização, dentro de um prazo previamente acordado, até no máximo quatro anos após o início do Roteiro (ou em 2025, para aqueles que iniciaram o Roteiro em 2021).
Planos com prazos definidos devem:
- Identificar as principais etapas que o clientes/holdings tomará para enfrentar sua exposição ao desmatamento, à conversão e aos riscos de direitos humanos associados, incluindo marcos anuais;
- Combinar ações dentro e além da cadeia de suprimentos;
- Incluir medidas de gestão da cadeia de suprimentos, engajamento com fornecedores, monitoramento de conformidade, atuação em paisagens e reporte transparente;
- Definir Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) sobre os quais o cliente/holding deverá relatar, de forma a garantir transparência e demonstrar progresso.
Este plano pode ser desenvolvido em colaboração com seus clientes/holding — independentemente do porte ou valor financeiro envolvido — como parte do esforço para garantir que suas cadeias de suprimentos de commodities estejam livres de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos até quatro anos após o início do Roteiro (ou em 2025, para aqueles que iniciaram o Roteiro em 2021). Além disso, sua organização pode atuar ao lado dos clientes/holdings para identificar áreas prioritárias onde o apoio institucional pode ajudá-los a aprimorar suas ações frente à exposição aos riscos de desmatamento, conversão e direitos humanos. É essencial que os compromissos e planos dos clientes/holdings estejam alinhados ao Accountability Framework.
Exemplos de planos de ação — e de empresas que estão desenvolvendo e reportando com base nesses compromissos — podem ser encontrados nos Commodity Roadmaps publicados pelo Consumer Goods Forum Forest Positive Coalition.
- Manual de Boas Práticas para Sustentabilidade Ambiental no Agronegócio do Rabobank e WWF, serve como um guia para investidores definirem requisitos em linha com a legislação ambiental e agrícola e regulamentações bancárias. Ele destaca os principais fatores a serem considerados ao avaliar uma propriedade, como adesão às leis de proteção ambiental, registro de terras adequado e práticas de gestão sustentável.
- Avaliando a conformidade com o Código Florestal: Um guia prático é um recurso projetado para ajudar investidores a definir requisitos em linha com o Código Florestal e avaliar se proprietários de terras e produtores estão aderindo à legislação brasileira. O Código Florestal descreve os requisitos legais para uso da terra e proteção ambiental, incluindo a manutenção de áreas de preservação permanente e reservas florestais legais em propriedades privadas.
- O protocolo Beef on Track é uma iniciativa coordenada pelo Imaflora e liderada pelo Ministério Público Federal nos estados da Amazônia Legal, que visa combater o desmatamento e as violações de direitos humanos associadas à cadeia de suprimentos de gado. O protocolo envolve um conjunto de compromissos assumidos por frigoríficos que operam na região, bem como ações que podem ser adotadas por empresas, pecuaristas e demais atores interessados para garantir que o gado destinado à produção de carne e couro não provenha de propriedades rurais com violações socioambientais ou desmatamento. O protocolo também pode orientar investidores que atuam nas cadeias de suprimentos de gado no Brasil sobre os requisitos a serem incluídos em suas políticas. Além disso, oferece um protocolo voluntário voltado para o bioma Cerrado.
Ação recomendada 3: Definir e comunicar um limite claro para o engajamento
Ao definir uma política, é importante incluir como você pretende implementar seu compromisso por meio de seus empréstimos, investimentos e outros financiamentos. É improvável que as políticas incluam um limite claro para exposição ao risco de desmatamento e/ou não conformidade contínua com os requisitos da política que desencadeariam o processo de engajamento para seus clientes/holdings.
Esse limite é utilizado para determinar se os clientes/holdings possuem exposição suficientemente alta a esses riscos, de modo a serem priorizados para o engajamento na Fase 3. Esses podem ser clientes/holdings com potencial para impulsionar mudanças significativas nos setores em que atuam. Exemplos de critérios incluem:
- Clientes/holdings categorizados como de alto ou médio risco durante a avaliação aprofundada dos riscos de desmatamento e violações de direitos humanos, incluindo qualquer clientes/holdings que compre de países ou regiões de alto risco.
- Clientes/holdings que produzem, utilizam ou financiam grandes volumes de commodities com alto risco de desmatamento (o limite para determinar isso pode variar conforme a commodity e a região geográfica).
- Clientes/holdings com os quais sua organização tem maior exposição financeira.
- Uma combinação desses critérios.
É importante comunicar esse limite de engajamento aos clientes/holding com antecedência, antes da realização dos processos anuais de Due Diligence na Fase 3.
“Progresso mensurável” pode variar conforme o estágio em que o cliente/holding se encontra na abordagem sobre o desmatamento.
- Dentro de um ano após assumir compromisso com este Roteiro, espera-se que os clientes/holdings tenham identificado todas as suas operações, cadeias de suprimentos e atividades financeiras de alto risco.
- Em até três anos, espera-se que tenham identificado e resolvido problemas associados de pelo menos 75% das fontes de financiamento ou fornecimento de alto risco.
- Em até quatro anos, espera-se que tenham identificado e resolvido problemas associados de pelo menos 100% dessas fontes.
Para clientes/holdings que já tenham avançado na mitigação dos riscos de desmatamento, conversão e violações de direitos humanos, os percentuais acima podem ser ajustados, de modo a manter metas ambiciosas.
Isso inclui:
- Quais informações/dados os clientes/holdings deverão reportar anualmente para comprovar conformidade com os requisitos da política e/ou progresso em relação aos planos com prazos definidos (conforme Etapa B)
- Esses dados podem ser fornecidos diretamente à sua instituição financeira e/ou por meio de plataformas como CDP Florestas, ou em relatórios públicos de sustentabilidade com uso de métricas e métodos reconhecidos, como os padrões do Global Reporting Initiative (GRI) e Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD).
- Quais fornecedores de dados terceirizados, bancos de dados, fontes de informação e sistemas de monitoramento serão utilizados para complementar e/ou verificar os relatórios fornecidos
- Incluindo preferência por informações fornecidas diretamente por comunidades e pessoas com direitos afetados, sempre que possível.
- Informações oriundas de mecanismos públicos de queixas também podem ser consideradas, para oferecer maior clareza sobre o que está ocorrendo no campo.
- Essas fontes devem incluir os mecanismos de queixas tanto da sua organização quanto dos próprios clientes/holdings, além de mecanismos de terceiros ou casos registrados em órgãos reguladores relevantes.
Também podem ser utilizados alguns dos conjuntos de dados e ferramentas detalhados na Etapa A da Fase 2, e listados abaixo.
- Os Guias de Conduta Ambiental da TNC visam estabelecer e padronizar critérios para credores e investidores em todas as cadeias de valor da gado e da soja, permitindo que eles desenvolvam ou adaptem mecanismos financeiros para uma abordagem livre de desmatamento e conversão (DCF), oferecendo ferramentas de suporte à decisão para aumentar a sustentabilidade em investimentos agrícolas.
- Engajamento de pequenos produtores de Proforest discute estratégias para envolver pequenos agricultores em práticas agrícolas sustentáveis. Ele enfatiza a importância de construir confiança, fomentar colaboração e fornecer suporte técnico e financeiro para permitir que pequenos agricultores atendam aos padrões de sustentabilidade.
- O “Guia para Empresas a Jusante dos Processadores de Carne e Couro que Atuam na Amazônia e no Cerrado”, do Imaflora, oferece diretrizes simples e claras sobre como essas empresas podem engajar seus fornecedores para avançar na implementação de compromissos socioambientais nas cadeias de suprimentos de carne e couro.
- O “Guia para a Reintegração de Pecuaristas ao Escopo dos Compromissos Livres de Desmatamento na Amazônia” do Imaflora, apresenta diretrizes sobre como os produtores de gado podem retornar à cadeia de suprimentos da pecuária por meio da requalificação via regularização ambiental, utilizando mecanismos comerciais como o PREM (Mato Grosso) e o Sirflor (Pará)
- A página 15 de Recomendações para investidores sobre riscos de desmatamento e conversão relacionados à pecuária e cadeias de fornecimento de carne bovina na América Latina descreve recomendações-chave para engajamento. O foco está em construir relacionamentos de longo prazo com fornecedores, monitorar o progresso e garantir a conformidade com os compromissos ambientais.
Apêndices
Compromisso de cadeia de suprimentos livres de desmatamento e conversão (DCF, na sigla em inglês)
“Declaração pública de uma empresa/instituição financeira que especifica as ações que pretende adotar ou os objetivos, critérios ou metas que pretende atingir em relação a seu gerenciamento ou desempenho em tópicos ambientais, sociais e/ou de governança.
Os compromissos também podem ser intitulados ou citados como políticas, promessas ou outros termos.”
“Os compromissos podem se aplicar a toda a empresa (por exemplo, uma política florestal para toda a empresa) ou podem ser específicos para determinadas commodities, regiões ou unidades de negócios. Eles podem ser específicos para determinado tema ou podem abordar vários tópicos ambientais, sociais e/ou de governança.” Para mais detalhes, ver a definição da iniciativa Accountability Framework.
Plano de implementação
Documentação das atividades que a organização planeja realizar ações para abordar questões ambientais ou sociais ou para cumprir compromissos, políticas, metas ou outras obrigações, que pode ser um guia útil para cada etapa planejada para um portfólio livre de desmatamento.
Plano de engajamento com fornecedores
“Documentação das ações que um comprador pretende implementar para dar suporte a seus fornecedores e ajudar a garantir que tais fornecedores cumpram os compromissos, políticas, metas, objetivos e outras obrigações sociais e ambientais do comprador.” Para mais detalhes, ver a definição da iniciativa Accountability Framework.
Um plano de engajamento alinhado à iniciativa Accountability Framework pode ajudar as empresas a entender como interagir com fornecedores (ou, no caso de instituições financeiras, com clientes/holdings) e monitorar seu progresso de acordo com a iniciativa. Os planos de engajamento são importantes para monitorar o progresso dos fornecedores que não apresentam conformidade e inseri-los na cadeia de suprimentos.
Alguns exemplos são:
- Identificar fornecedores prioritários: identificação dos fornecedores que apresentam maior nível de não conformidade;
- Economizar tempo e recursos: integração dos questionários de avaliação e manuais de fornecedores numa só plataforma; e
- Planejar visitas de campo: planejamento de visitas de campo ou investimentos para melhorar as práticas.
Data-limite
A data-limite é a data após a qual o desmatamento ou a conversão coloca uma área ou unidade de produção em situação de não conformidade com objetivos, compromissos, metas ou outras obrigações de não desmatamento ou não conversão. Por exemplo, se a data-limite for 2020, as empresas ou produtores que adquirirem produtos de terras desmatadas ou convertidas após 2020 não terão acesso a financiamento ou ao mercado.
Data prevista
A data prevista é a data quanto a organização pretende ter implementado totalmente seus compromissos ou políticas. Por exemplo, se a data prevista for 2025, a instituição financeira se compromete a cumprir integralmente seus compromissos até aquela data.
Rastreabilidade
A rastreabilidade é definida como a capacidade de acompanhar um produto ou seus componentes ao longo dos diversos estágios da cadeia de suprimentos (por exemplo, produção, processamento, fabricação e distribuição). Os sistemas de plena rastreabilidade devem ser capazes de rastrear a origem da commodity, o que é frequentemente interpretado como a capacidade de verificar o histórico, a localização ou a aplicação de um item por meio de sua identificação documentada e registrada.
Conformidade/não conformidade
Refere-se ao status de conformidade (cumprimento) ou não conformidade (descumprimento) com determinado compromisso, política ou outra obrigação.
No contexto da iniciativa Accountability Framework, o descumprimento de compromissos e políticas voluntárias, o descumprimento da legislação aplicável e os impactos adversos aos direitos humanos reconhecidos internacionalmente são considerados instâncias de não conformidade.
Divulgação
A divulgação é o compartilhamento público de informações por parte das empresas. Pode incluir relatórios disponibilizados ao público, bem como o compartilhamento público gratuito de outras informações, tais como políticas e compromissos da empresa; estruturas empresariais, afiliadas e interesses financeiros da empresa; listas de fornecedores; conflitos de interesse; ou ações políticas (lobby, contribuições de campanha etc.). A divulgação é um mecanismo de transparência.
Due diligence
O processo de due diligence é um processo de gestão de riscos implementado por uma empresa para identificar, prevenir, mitigar e contabilizar como ela trata dos riscos e impactos ambientais e sociais em suas operações, cadeia de suprimentos e investimentos.
Amazônia Legal
A Amazônia Legal é uma região administrativa definida no Brasil que cobre aproximadamente 59% do território do país. Ela inclui nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão (parcialmente), Mato Grosso (parcialmente), Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A região foi criada para promover desenvolvimento social e econômico, considerando as características ambientais únicas da Amazônia. Embora se sobreponha significativamente ao bioma Amazônia, a Amazônia Legal também inclui áreas do Cerrado e do Pantanal, o que a torna mais ampla que a definição estritamente ecológica da Amazônia. Com frequência, é foco de políticas de conservação, monitoramento de desmatamento e programas de desenvolvimento sustentável.
Fornecedores diretos e indiretos de gado
- Fornecedores diretos: São fazendas que vendem gado diretamente para frigoríficos ou abatedouros, muitas vezes envolvidas na etapa final do processo de criação do gado. Esses fornecedores costumam fornecer informações mais rastreáveis sobre o gado que vendem, pois a transação é mais clara e está diretamente ligada ao estágio de processamento.
Fornecedores indiretos: São fazendas ou intermediários que não vendem diretamente aos frigoríficos, mas sim para outras fazendas ou traders. A categoria geralmente inclui casas de leilão, pequenos e médios produtores, intermediários e comerciantes que movimentam o gado entre várias fazendas ou regiões antes que ele chegue aos abatedouros. Como o gado pode mudar de mãos diversas vezes, o rastreamento de sua jornada torna-se uma tarefa mais complicada, o que resulta em desafios para manter a rastreabilidade e o monitoramento precisos.
Guia de trânsito animal (GTA)
A guia de trânsito animal (GTA) é um documento oficial exigido no Brasil para rastrear a movimentação de rebanhos, garantindo sua rastreabilidade, status sanitário e conformidade com as normas sanitárias. Inclui informações importantes, como origem, destino e identificação dos animais, além de detalhes sobre exames de saúde ou vacinas. A GTA tem o objetivo de prevenir a propagação de doenças, garantir o bem-estar animal adequado e monitorar a movimentação legal e ética do gado. No entanto, ela pode ser afetada negativamente por práticas como “lavagem de gado”, em que informações falsificadas, manipuladas ou omitidas podem ocultar a verdadeira origem dos animais.
Cadastro Ambiental Rural (CAR)
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro ambiental nacional criado no Brasil para monitorar e gerenciar o uso de propriedades rurais. Ele exige que os proprietários de terras registrem suas propriedades e forneçam informações sobre suas áreas de preservação ambiental, como florestas, zonas ribeirinhas e habitats protegidos. O CAR tem como objetivo promover a gestão sustentável da terra, garantindo o cumprimento das leis ambientais, especialmente aquelas relacionadas ao desmatamento, e apoia esforços para restaurar terras degradadas. Ao criar um registro digital, ajuda as autoridades a rastrear o uso da terra e melhorar o monitoramento ambiental. O CAR é um instrumento autodeclaratório, o que significa que os próprios proprietários de terras fornecem as informações.
“Lavagem de gado”
O termo “lavagem de gado” refere-se à prática ilegal de disfarçar a origem do gado, muitas vezes para contornar regulamentos ou esconder a relação do gado com atividades ilegais, tais como desmatamento, grilagem de terras, ou uso do gado para fins ilícitos (por exemplo, em abatedouros ilegais).
O termo “progresso mensurável” pode assumir significados diferentes dependendo de quão avançada for a abordagem do cliente sobre o desmatamento nas cadeias de suprimentos de carne bovina e/ou couro no Brasil.
No prazo de um ano após a adoção deste roteiro, os clientes/holdings podem ser incentivados a ter:
- Identificado todas as operações, cadeia de suprimentos e atividades de financiamento de alto risco, priorizando as áreas com alto risco de desmatamento, como a Amazônia e o Cerrado.
No prazo de três anos, a expectativa é que os clientes/holdings:
- tenham identificado e buscado soluções para pelo menos 75% de suas aquisições ou financiamentos de alto risco; e
- tenham reduzido o risco de desmatamento em 75%.
No prazo de quatro anos, a expectativa é que os clientes/holdings:
- tenham identificado e buscado soluções para 100% de suas aquisições ou financiamentos de alto risco; e
- tenham reduzido o risco de desmatamento em 100%.
Para os clientes que já tiverem realizado progressos em relação aos riscos de desmatamento, conversão de ecossistemas e violações de direitos humanos em suas cadeia de suprimentos da pecuária ou suas operações de financiamento no Brasil, as porcentagens acima podem ser ajustadas adequadamente para que continuem a motivar um progresso ambicioso.